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O que são arquétipos? Quais os mais comuns?

Nas redes sociais, em muitos posts de humor, vimos a palavra “arquétipo” ser bastante utilizada. Por exemplo, “ativando meu arquétipo Caco Antibes”. Mas, falando de uma forma séria, o que seriam os tais arquétipos? 

“Arquétipo” é uma conjunção de palavras de origem grega, que significa “protótipo”, “modelo padrão”. Pode ser utilizada em diversas áreas de estudo, como Filosofia, Psicologia e claro, Narrativa, que é o nosso principal foco nesse blog, atualmente. 

Carl Jung define “arquétipo” como “conjuntos de imagens primordiais originadas de uma repetição progressiva de uma mesma experiência durante muitas gerações, armazenadas no inconsciente coletivo”. Ou seja, vemos em personagens de filmes, novelas e jogos, por exemplo, comportamentos que refletem um senso comum da sociedade, fazendo com que nos sintamos familiarizados com ele e com a história apresentada. 

A partir da definição de Jung, o roteirista Christopher Vogler, autor do livro “A Jornada do Escritor”, definiu e elencou alguns dos principais arquétipos utilizados em narrativas. Confira logo abaixo.


Arquétipos definidos, segundo Vogler


Herói

Geralmente é o protagonista da história, que apresentará um conflito e entrará em dualidade moral, evoluindo e desenvolvendo-se como personagem. 
Exemplo: John Marston e Arthur Morgan (franquia Red Dead Redemption).

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Meus dois heróis (ou anti-heróis) favorito. Foto: Notícias de Cinema

Mentor

É um secundário/coadjuvante, que será o “cérebro” do protagonista durante a história.
Exemplo: Vesemir (The Witcher 3).

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Foto: VG247

Aliado

Juntamente com o mentor, é um coadjuvante da história, o amigo do herói que o acompanha na aventura proposta.

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Foto:The Last Of Us Wiki

 

Arauto

É quem apresenta a aventura ao herói, tirando-o de sua zona de conforto.
Exemplo: Johnny Silverhand (Cyberpunk 2077).

Foto: Wccftech

Guardião do Limiar

Não é exatamente o antagonista/vilão, mas irá testar a moral do protagonista em diversos momentos. Em certo momento da história, irá ficar ao lado do herói ou opor-se a ele.
Exemplo: Strange Man (Red Dead Redemption).

Foto: Jenny (Twitter)

Camaleão

É o personagem que não é bom, tampouco ruim. Ele deixa o espectador/usuário na dúvida se é confiável, pois ter atitudes questionáveis, mas também ajuda o herói em certas ocasiões. Geralmente, essa figura protagoniza o plot twist da história, se houver. 
Exemplo: Miranda Priestly (O Diabo Veste Prada). Para mim, ela não é a vilã do filme, mas sim, uma personagem ao mesmo tempo que ajuda a Andy, também afunda-a mais um pouco na própria história.

Foto: Reprodução

Sombra

O antagonista, o vilão principal, aquele que precisa ser combatido de alguma forma.
Exemplo: Darth Vader, um clássico (Star Wars)

Foto: Reprodução/Jovem Nerd

Pícaro

São alívios cômicos da história, podendo estar do lado do vilão, do herói ou serem independentes, com objetivos próprios.
Exemplo: Kronk (A Nova Onda do Imperador). Quando penso em alívio cômico, é o primeiro personagem que me vem na cabeça.

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Foto: Reprodução/Walt Disney


A importância dos arquétipos

Escrever um bom personagem é difícil. Fazer com que as pessoas sintam-se familiarizadas com ele, idem. Por isso, é importante entender e utilizar os arquétipos adequados na sua história, de acordo com o que você quer contar. 

Arquétipos são diferentes de estereótipos. Esse último, inclusive, está caindo cada vez mais em desuso, pois muitas vezes são mal utilizados e acabam envelhecendo muito mal.
A “moda” agora nas produções audiovisuais que envolvam personagens é quebrar regras e trazer uma visão desconstruída de tudo o que aprendemos por gerações. 

Os arquétipos são uma ótima base de personagens, mas cuidado para não misturar com estereótipos, como mostrei nesse texto aqui. ✿