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O que é a tão amada e odiada “Jornada do Herói”?

A “Jornada do Herói” é uma das inúmeras “fórmulas” narrativas utilizadas para contar uma história, seja no cinema, séries, quadrinhos e claro, nos jogos. Ela pode ser observada em diversos sucessos do cinema como Senhor dos Anéis, Star Wars, filmes de heróis e etc.

Ela foi estruturada da forma que conhecemos pelo roteirista Christopher Vogler, ao escrever o livro “A Jornada do Escritor”. Esse livro surgiu de um memorando para os roteiristas dos estúdios Walt Disney e ganhou notoriedade desde então. 

Porém, Vogler não tirou isso da sua própria cabeça. Para escrever “A Jornada do Escritor”, ele se baseou no livro “O Herói de Mil Faces” (1949), de Joseph Campbell. Campbell expõe um estudo a respeito dos mitos clássicos da literatura mundial, todos seguindo um padrão de jornada e desenvolvimento nas suas histórias. 

É aí também que são utilizados os arquétipos junguianos, que você pode ler e entender melhor neste texto


Fases da Jornada do Herói

  • O mundo comum

Mostra a vida do protagonista até então e nos contextualiza a respeito da ambientação da história. É aqui que o nosso “herói” é apresentado ao público, fazendo com que o mesmo se identifique com ele.

  • Chamado para a aventura

É aquele momento em que algo extraordinário surge para desestabilizar a rotina do herói e de todos ao seu redor, chamando-o para um desafio.

  • Recusa do chamado

Nem sempre o protagonista irá atender ao chamado de primeira. Portanto, vemos nessa etapa uma resistência, como se ele dissesse “não tenho nada a ver com isso aí”.

  • Encontro com o mentor

Aqui, o mentor pode ser qualquer coisa, desde um personagem até um objeto, que irá convencer o protagonista a partir para o desafio, dando-lhe instruções, conselhos e treinamentos.

  • Travessia do primeiro limiar

O personagem irá de encontro ao desafio e começará a descobrir coisas novas a respeito dele mesmo ou do mundo ao redor, que serão úteis para enfrentar essa batalha.

  • Testes, aliados e inimigos

Nessa etapa, as coisas começam a se desenhar um pouco mais, deixando claro quem é o antagonista e a parte aliada ao protagonista.

  • Aproximação da caverna secreta

O protagonista começa a lutar contra seus medos e a se questionar a respeito do que está fazendo ali. É quando o mesmo se recolhe, seja em um espaço concreto ou abstrato e começa a refletir. 

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Um exemplo de game em que podemos ver uma Jornada do Herói construída é a franquia “Horizon”. Foto: Reprodução/MetaGaláxia
  • Provação

Os conflitos e dilemas morais ficam mais evidentes, fazendo com que nosso protagonista experimente diversas dificuldades (até mesmo uma morte, por que não?) para assim evoluir e usar todo o seu conhecimento adquirido durante a jornada para vencer o obstáculo.

  • Recompensa

Após vencer a provação, o herói é recompensado com alguma coisa. Aqui também entra a transformação do protagonista como um todo, deixando praticamente para trás aquele que conhecemos lá no início da trama.

  • Caminho de volta

O herói está a caminho do seu lugar de origem, o mundo está em paz e a vida voltou ao normal, pelo menos é o que ele acha.

  • Ressurreição

            O inimigo renasce e percebemos que a sensação de vitória era falsa. Nesse momento, o herói destrói o inimigo completa ou parcialmente, desafiando a própria morte e podendo custar muitas coisas valiosas, como sua própria família. Marca também a transformação irreversível do protagonista.

  • Retorno

            É aqui que a jornada do herói termina, em tese. A vida dele nunca mais será a mesma, o mundo já é visto sob outra perspectiva, os inimigos foram punidos e o que não foi explicado, será finalmente amarrado às outras pontas. 


Esta é somente uma das várias jornadas narrativas que você pode utilizar na sua história. Ela é amada e odiada, mas nunca nos provoca indiferença. Eu mesma tenho a opinião de que ela não serve para tudo absolutamente, sempre temos que adaptá-la em vários momentos.
Conforme dito antes, se encaixa perfeitamente em produções fantásticas, onde a figura do herói clássico é a que prevalece e ele precisa passar por tudo aquilo para se validar como um salvador. 

Por exemplo, em um filme de drama cult, a Jornada do Herói não se aplica exatamente dessa forma, embora sempre possamos reconhecer a influência e traços dela em produções aqui e acolá. 


Para quem tiver interesse em ler o livro de Vogler, aqui está

Já o livro do Campbell, está aqui. ✿